Toyotismo – Sistema de Acumulação Flexível

Em meados da década de 50, num momento da história onde o Fordismo, sistema de produção e consumo em massa, dominava toda a indústria ocidental, Eiji Toyoda (1913-2013) procurava uma estrutura adequada para seu empreendimento em meio a uma crise dentro do capitalismo.

Sendo um país com um espaço geográfico reduzido para locar grandes estoques e uma população que não era tão consumista quanto a população ocidental para gerar o lucro da produção em massa, o Japão pós Segunda Guerra, não se adequava ao sistema fordista de produção, fazendo com que Toyoda criasse um sistema próprio e flexível para esta realidade, difundindo-se pela maior parte dos países em seguida.

Em 1948, visitando algumas empresas norte-americanas, Toyoda percebeu que o sistema de produção estabelecido não poderia se encaixar no estado atual de seu país, visto que se recuperava lentamente da guerra e não tinha recursos suficientes para estabelecer grandes estoques e consumo em massa. Juntamente com Taichi Ohno (1912-1990), desenvolveram técnicas e mudanças no sistema de produção, adequando-se a realidade do Japão e a demanda que mostrava-se disponível na época.

O Toyotismo se baseia na adequação de produção de acordo com a demanda do produto, sendo maior a estocagem de determinada mercadoria quando sua demanda é maior, assim como a estocagem é menor quando a demanda de uma determinada mercadoria é menor. Este sistema visa eliminar desperdício de matéria-prima e o tempo necessário para produzir mercadorias que não entraram no fluxo, não gerando lucro. Assim surge o modelo industrial “Just-in-time” (em cima da hora), que combinava os sistemas de fornecimento de matéria-prima, de produção e de venda, evitando os desperdícios de matéria-prima ao contabilizá-la adequadamente para a demanda do produto que estava sendo solicitada num prazo geralmente muito curto, prevendo todo o fluxo no sistema de produção.

Sem a necessidade de grandes estoques e o controle da matéria-prima, o “just-in-time” fez com que muitas empresas obtivessem a economia e a eficiência na movimentação da produção, evitando gastos desnecessários e espaços desperdiçados com grandes estoques.

 

Fábrica da Toyota em Buenos Aires, Argentina.

Toyoda e Ohno transformaram o sistema de produção japonês ao automatizar mais suas fábricas, não gerando a necessidade ostensiva que o Fordismo utilizava da mão de obra, agilizando o processo industrial e capacitando equipes de produção para cada tarefa, sendo ao final do processo um dos trabalhadores fazia a revista final da mercadoria e poderia substituir eventualmente um operário ausente. O trabalho em equipe estimulava os operários a um crescimento pessoal e profissional, trazendo a responsabilidade de cada demanda como sendo pessoal, gerando maior comprometimento nas atividades exercidas. O processo industrial fordista ao estabelecer uma tarefa única para cada funcionário, segundo Toyoda, causava um “tempo morto” de produção, atrasando o fluxo de mercadorias e gerando maior tempo para a entrega, por esse motivo a execução de tarefas em equipe foram fundamentais para a agilidade nos processos industriais toyotistas.

Sendo um sistema de acumulação flexível – que se adequava de acordo com a demanda -, a Toyota estabeleceu regras para que a continuidade do sistema de produção fosse lucrativa:

  1.  Controle de qualidade: todo trabalho deverá ser especificado em seu tempo, conteúdo, sequência e resultado.
  2. Relação cliente-fornecedor direta: definição de um meio específico e claro para envio e recebimento de pedidos.
  3. Fluxo de trabalho e processo de mercadorias simplificada: sistema de produção direto e simples.
  4. Melhorias sob supervisão: todas as melhorias deverão ser coordenadas por um orientador e feitas através de um método científico.

Embora com grandes limitações em relação à grandes empresas fabris da época, a Toyota alcançou o seu sucesso ajustando o sistema de produção ao modelo neoliberal. Assim como no sistema de produção, o Toyotismo difundiu-se também como modelo de administração, sendo que na década de 80 tornou-se a ideologia universal da produção sistêmica do capital.

Atualmente a Toyota é uma das maiores empresas do mundo na fabricação de veículos automotivos.

 

 

 

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